quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Amem, Amem muito!!! ("Hoje faço 100 anos!" by Rute)


O Post anterior deixou muitos a pensar "o que diria eu se hoje fizesse 100 anos??". A minha grande e querida amiga Rute aceitou o desafio e presenteia-nos com o seu magnífico discurso, vindo directamente do coração, que passo a citar:

"Hoje faço 100 anos!

Lembro-me, perfeitamente, dos meus doces 20 anos, altura em que dizia bem alto que não queria atingir a velhice. Acreditava que este era um período da vida em que nos limitamos a existir sem capacidade para viver.
Hoje sei! Hoje sei que a velhice é bela, é o culminar de um percurso, é o resultado de um trajecto. Trajecto que percorri e adorei.

Olhando para trás percebo que a vida me deu coisas magnificas, vivências maravilhosas, aprendizagens sagradas que me acompanharão na longa viagem que estou prestes a embarcar.

Hoje sei que essas “coisas” que encheram e preencheram o meu coração foram pessoas! Pessoas que tive o privilegio de conhecer e amar.

Facilmente perceberão que com 100 anos vi morrer e nascer muita gente, cruzei com muitos sorrisos e lágrimas, ajudei e fui ajudada, partilhei e ouvi, amei e fui amada!

Agradeço a Deus todas as aprendizagens, as maravilhosas e as dolorosas, porque foram elas que me permitiram ser quem sou hoje. E eu tenho orgulho no que sou.

Sei que fui boa filha, boa irmã, boa amiga, boa esposa e acima de tudo fui uma boa mãe. Dediquei-me de corpo e alma aos outros e com eles a minha existência adquiriu significado.

Se acreditam que a minha idade e as minhas vivencias me permitiram adquirir alguma sabedoria, aceitem este meu conselho: amem! Amem muito! Amem tudo e todos! Aproveitem o tempo com sabedoria! Não se percam em pormenores e dores infundadas, não se deixem levar pelo orgulho do ego. Limitem-se , simplesmente, a amar! Amem-se a vocês e aos outros!

Parece um conselho muito simples…talvez tão simples, que pensem que a velha está mesmo a ficar louca J , mas a verdade é que este conselho manifesta todas as minhas aprendizagens!

Também eu, a velhinha que descrevem como doce, amável, tranquila, compreensiva, já fui emocionalmente agitada, orgulhosa, egocêntrica!

Mas a vida ensinou-me , a vida mostrou-me a sua beleza , mostrou-me que o amor é a solução! Só assim vivemos em paz, só assim aprendemos as lições certas, só assim caminhamos para a luz!
Agradeço a todos aqui!

Agradeço aos meus pais, que já não nos acompanham fisicamente, tudo o que sou! Agradeço a educação que deram, o amor incondicional, o carinho, a compreensão. Mãe , Pai, amo-vos!

Agradeço aos meus irmãos, à Sandra e ao João, por terem existido na minha vida! Agradeço-lhes pelas aprendizagens, por nunca terem desistido de mim, por me terem permitido acompanhá-los e amá-los! Por me terem acompanhado e amado!

Agradeço à pantera por ter sido uma companheira nesta viagem. Sarinha foste sempre maravilhosa!

Agradeço à minha sobrinha maravilhosa, que me acompanhou e que me acompanhará até à morte. Que bela mulher te tornaste, Ana! Que ser maravilhoso! Que ser de luz! O teu sorriso continua a irradiar amor e ternura! Amo-te pequena!

Agradeço ao meu marido, que partiu tão feliz pelo que construiu! Agradeço ao meu companheiro de vida, ao meu verdadeiro e grande amor, ao pai do meu filho ! Agradeço-te  Vítor, agradeço-te todos os minutos que passaste comigo, agradeço-te todos os sorrisos e lágrimas, agradeço-te a amizade e o amor que me deste sempre! Agradeço-te a paciência! A minha vida foi tão boa , porque tu estiveste comigo! Continuo a amar-te meu amor.

Agradeço ao meu pequeno Vítor, meu filho amado, que despertou em mim a vontade de viver, que me deu o privilegio de criar , de ver crescer o ser maravilhoso que é hoje! Filho, quando olho para ti hoje , quando te vejo feliz e concretizado, quando te vejo sorrir percebo que cumpri a minha missão, que cumpri o meu objectivo, percebo que fui uma boa mãe!  Vitinho obrigado por tudo o que me deste! Sou o que sou porque te tive! Amo-te filho!

Agradeço a todos os outros que comigo se cruzaram, que amei e que me amaram … Helena, Celeste, Gracinda, Custódio, Joana, Lília, Lídia, Fernanda, José, Ana, … foram tantos…

Graças a Deus que vos conheci, que fizeram parte da minha vida!

Obrigado por estarem aqui! Despeço-me com muito amor de vocês, sei que em breve começarei uma nova jornada! E também sei que essa jornada vai ser maravilhosa!

Não chorem por mim, sorriam, porque esteja eu onde estiver, vou estar feliz! Vou estar feliz porque vocês me ensinar a ser feliz!
Obrigado!"

 Lindo!!! Muito obrigada, amiga, pela partilha!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Hoje faço 100 anos!



Cá estou eu de volta com mais uma partilha. Resolvi seguir a sugestão de um livro (Trate a vida por tu, de Daniel Nogueira) e pensar no discurso que faria se hoje celebrasse 100 anos! Seria mais ou menos assim (com voz trémula e pausada, provavelmente):

Queridos amigos e familiares, quero aproveitar este momento para vos deixar uma mensagem importante. 


Aproveitem cada ano das vossas vidas ao máximo. Arrisquem quando sentirem que "aquele" é o caminho. Arrependo-me de não o ter feito desde cedo. Mas, mesmo assim, a determinada altura, procurei fazer o que gostava e sentir-me realizada. Há uns anos atrás, depois de me reformar, procurei aceitar as minhas limitações e encontrei novos caminhos para me sentir bem. Voltei a arriscar. Só assim fui feliz e consegui trazer felicidade aos outros.

Ao longo da minha vida, valorizei tudo o que tinha conquistado e as aprendizagens realizadas nos momentos mais difíceis. Aceitei as escolhas que fiz, mesmo aquelas que, mais tarde, me pareceram menos certas e mesmo essas me conduziram a novas aprendizagens.

Tenho 100 anos e sinto-me realizada! Fiz o que deveria ter feito e que durante muito tempo não consegui fazer: agir, decidir com base no que eu quero e aceitar as consequências das decisões tomadas.

Ao olhar para trás vejo tudo o que conquistei e não aquilo que poderia ter alcançado.

Vivam no presente, aceitando os alicerces do passado e com o coração aberto para o futuro. Uma porta pode fechar-se, mas certamente outras se abrirão.

Aprendam com aqueles que vos rodeiam. Cada uma das pessoas que vos rodeia tem algo de importante para vos ensinar.

Foquem-se no que é mais importante para vocês e não deixem que pequenas coisas vos atormentem.
Valorizem pequenas conquistas porque esse é o caminho para alcançar grandes vitórias.

Foi isso que fiz e hoje, com 100 anos, estou em paz e feliz, porque a pouco e pouco fui superando os meus medos e alcançando os meus objectivos e também os meus sonhos. O medo faz parte da vida, mas não deve dominá-la.

Ajam, arrisquem e assumam com coragem as consequências das vossas decisões. Não há escolhas certas!

Acima de tudo, vivam e saboreiem a vida!



E tu? Qual seria o teu discurso se fizesses hoje 100 anos?


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Teamwork


Hoje, numa das minhas sessões, resolvi inovar. Num processo como o de RVCC, tão individualizado, resolvi colocar os meus três adultos a trabalhar em grupo. Actividade simples, mas de execução complicada, pelos vistos.  

Constatei que, num processo que obriga a olhar para dentro, olhar do outro lado do vidro foi bastante difícil. Num processo que valoriza o trabalho em equipa, nunca pensei que um trabalho de grupo fosse tão difícil. Penso que o facto de estarem ausentes da escola, da formação contribuiu para esta dificuldade. Demoraram cerca de trinta minutos a organizarem-se e outro tanto a executar a tarefa (note-se que foi feita de forma individualizada também).

Ora, esta situação pode também explicar o impacto que este Processo tem nas pessoas. Como são obrigadas a olhar para dentro, são valorizadas todas as vezes que apresentam um trabalho escrito, mesmo que seja um daqueles homicídios de  1º, 2º e 3º graus e posterior suicídio da língua portuguesa, e as questões são, todas elas, centradas na maravilha que é a sua vida (mesmo que seja a maior desgraceira), a determinada altura é só "me, me, me". Ao mesmo tempo, o grau de dependência que por vezes se gera (nossa culpa, claro) leva a que as pessoas exijam, exijam e exijam cada vez mais, esquecendo-se que a prova de competências está nas suas mãos. Nós, equipa, somos apenas os alicerces para ajudar a construir a obra prima. Os adultos são, ou deveriam ser, os artistas!

Não quero com isto dizer que o processo é negativo. As pessoas aprendem e, acima de tudo, descobrem como podem valorizar-se e fazem com que a sua vida mude. Essa é a parte boa, que nem sempre se vê, mas quando acontece sabe bem observar.

Numa sociedade que se diz individualista, o trabalho em equipa é uma competência fulcral. Será que só acontece no trabalho? Seremos assim tão centrados no nosso umbigo?

The new me- Parte 1


Fevereiro, mês de novos posts!

Como referi no último, dei início ao processo de mudança 2011. E o que mudou até agora? hum... visivelmente nada! Mas cá dentro algumas coisas começaram a mexer.

Comecei por valorizar as minhas conquistas ao longo destes anos. Pensava que fossem menos. Reparei que amadureci e posso, finalmente, dizer que me sinto com mais de 25 anos (alguns devem pensar "belos tempos"). E tenho ainda mais para escrever.

A outra mudança, que a pouco e pouco vai crescendo, é a vontade de agir, de deixar de pensar. Ora, vou arriscando nas pequenas coisas. Valorizo-as! Espero que este seja um dos caminhos para alcançar grandes mudanças.

Mas confesso que este processo não é nada fácil. São várias as coisas no dia-a-dia que nos fazem sentir down, desmotivar e só pensar no nosso cantinho e desejar nunca mais sair. Os meus dias oscilam entre "hoje é um dia bom" e "Hoje não é um dia bom". As rotinas, a desmotivação no trabalho, a ausência de outras actividades contribuem para tudo isto.

Quanto às actividades resolvi tomar pequenas atitudes. Primeiro, voltei a ler. O meu trabalho faz-me "emburrecer" devido à quantidade de homicídios da língua portuguesa que testemunho diariamente. Depois, procurei um livro de desenvolvimento pessoal. Mal não deve fazer! Este leva-me a reflectir um pouco sobre mim, quem sou eu, o que quero e para onde vou (onde já ouvi isto). Para além disso, aqui estou a partilhar convosco as minhas conquistas (um pouco egocêntrica, não?).

Muitas perguntas continuam por responder. Mas tudo isto faz parte deste processo de mudança que gentilmente intitulei por "the new me"

Hope so!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Hoje é um dia bom!


Hoje resolvi escrever sobre algo mais alegre e menos "down", contrariando os últimos posts. Como psi acredito na mudança, como pessoa... não sei, tem dias. Hoje é um dia bom! 

Muitas vezes ouvimos "Ninguém muda", "As coisas são sempre iguais", entre outras coisas. Ora devo discordar, e bastante! Senão, vejamos: a descoberta do fogo, da roda, da electricidade, do computador mudaram, ou não, a forma de estar do ser humano?! As sociedades mudaram ao longo dos séculos! Até o calendário dos signos mudou!!! Porque será tão difícil acreditar que podemos mudar a nossa forma de estar, de ver o mundo, a nossa forma de ser?!  

Depois de uma tarde inteira a ver e ouvir informação de alguns coaches, concluí que tenho medo de abandonar a minha área de conforto (expressão que por si só é reconfortante!), a qual não me preenche por completo. Sair da área de conforto implica arriscar, entrar num mundo "desconhecido". Não tem de ser um tiro no escuro. Penso que deve ser algo pensado e depois implementado. 

É preciso agir! É preciso tentar! Para isso, tenho de alinhar algumas coisas, como por exemplo, o que me traz insatisfação, o que gosto, o que sei fazer e o que quero fazer. Devo anunciar, então, que iniciei o meu processo de mudança 2011!!

Por onde vou começar? Valorizar as conquistas! Reconhecer o que já alcancei. Aumentar a minha auto-estima (que já teve melhores dias) e auto-conceito (que oscila bastante). Vou olhar o mundo de cabeça erguida e dar um passo em frente!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Burnout??




Chega a tão desejada sexta-feira. Saio às 22h (raio de horario para se trabalhar), mas penso "Não faz mal. é Sexta". Mas a sexta continua a ser aquele dia em que se antevê a semana seguinte, que é sempre pior que a anterior. A motivação que se traz para a sexta, logo se esvance quando percebemos que vamos sair tarde todos os dias e vamos perder aqueles jantares com a família.

Mais uma semana a sair de casa vazia e a entrar com a casa vazia... Cansada de ouvir o problema dos outros, de compreender tudo e todos e de gritar silenciosamente para que tudo isso pare. Terá isto a ver com o síndrome de burnout?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Tempos difíceis...


Dois anos a trabalhar num horário estranho: manhã, tarde, noite. Refeições? Palavra esquecida depois das 17h. Só a máquina de vending para satisfazer a primeira necessidade da pirâmide Maslow. A incapacidade  de programar o que quer que seja desmotiva dia após dia.

Novo emprego, novo horário. Tarde e Noite... Mantém-se a ausência nos jantares de família e festas de aniversário. Manhãs vividas num sono solitário. Almoços em conversa com as séries da TV Cabo. O cansaço, a profissão que nada traz de novo, onde já não há mais nada a aprender. O tempo que se passa sozinho a pensar nas portas que se podem abrir e naquilo que o horário não permite fazer. As formações estão limitadas no tempo. O tempo com a família já é tão pouco que mais uma actividade parece retirar o que de melhor se tem, o que nos dá força para aguentar mais um dia, e mais outro... A solidão do trabalho continua até casa, até que alguém chegue. Saio de casa vazia e entro com a casa vazia. Fico apenas com as vozes das paredes e do vento, se este resolver aparecer.

O futuro promissor é algo que parece nunca mais vir. Aquele que poderia ser um caminho interessante, revela-se, por vezes, num caminho sem saída ou em muito mau estado.

A esperança tão depressa vem, como rapidamente resolve ir embora. As forças esgotam-se... só apetece parar, não pensar e descansar... Aquele brilho, aquela felicidade, ora vem, ora vai... são várias as vezes que não aparece...
O cansaço destes tempos difíceis aumenta e começo a render-me...